sábado, 2 de fevereiro de 2013

Assombração em Hollywood

Elke Sommer com o marido Joe em sua casa em Benedict Canyon, North Beverly Hills.

Os fantasmas não costumam assombrar apenas casas velhas, caindo aos pedaços. Até mesmo mansões milionárias de Hollywood algumas vezes vêem-se às voltas com eles. Essa triste situação era um aborrecimento constante para a atriz alemã Elke Sommer e seu marido, o escritor Joe Hyams, nos anos 60.

O casal chegou à conclusão de que a casa era mal-assombrada, logo depois de a terem adquirido em 1964. A primeira testemunha foi uma jornalista alemã, que estava tomando sol à beira da piscina, quando viu um estranho no jardim.

O homem, aparentemente com mais de 50 anos, estava muito bem vestido, com camisa branca, gravata e terno preto. A jornalista falou a respeito da aparição com seus anfitriões, que ficaram surpresos com o incidente, pois não conheciam ninguém que correspondesse à descrição.

Duas semanas depois, o estranho apareceu uma segunda vez, quando a mãe de Elke Sommer acordou e o viu. A velha já estava se preparando para gritar, quando a figura simplesmente desapareceu.

As duas aparições representaram apenas o começo dos problemas do casal. A partir daquela ocasião, estranhos ruídos passaram a ser ouvidos na casa, altas horas da noite, com freqüência cada vez maior. Eles ouviam curiosos sussurros, e, algumas vezes, tinham até a impressão de que as cadeiras da sala de jantar estavam sendo arrastadas de um lado para outro.

A princípio, Hyams não pensou que o problema pudesse ser causado pelo sobrenatural. Assim, cortou árvores e arbustos para terminar com os ruídos. Contudo, tal providência de pouco valeu. Toda noite, antes de se recolher, ele trancava cuidadosamente portas e janelas, mas, pela manhã, encontrava uma janela, em particular, aberta. Amiúde, Hyams ouvia a porta da frente abrir e fechar durante a noite inteira, porém sempre a encontrava trancada pela manhã. Frustrado, o escritor instalou três pequenos radiotransmissores ao redor da propriedade, mas não conseguiu pegar nenhum gatuno responsável pelos distúrbios noturnos.

Finalmente, na primavera de 1965, Sommer e Hyams deixaram a casa aos cuidados de um caseiro amigo durante viagem à Europa. Por mais que o caseiro trancasse a porta da frente, antes de dormir, ela aparecia escancarada no dia seguinte. E, naquele mês de agosto, o fantasma fez mais uma visita. O caseiro viu um estranho espreitando-o da sala de jantar. O intruso tinha cerca de 1,80 metro, era musculoso e usava camisa e gravata. Assustado, o amigo do casal Hyams pensou tratar-se de um ladrão, até o homem desaparecer diante de seus olhos.

Sem encontrar explicação para o problema, Hyams finalmente entrou em contato com a Sociedade para Pesquisa Psíquica da Califórnia do Sul, entidade que se dedica a estudos mediúnicos, e o caso passou para a dra. Thelma Moss, psicóloga do Instituto de Neuropsiquiatria da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Ela levou vários médiuns para a casa, inclusive alguns sensitivos locais bastante conhecidos, como Lotte van Strahl e Branda Crenshaw. Alguns dos médiuns sentiram imediatamente a presença do fantasma, e suas descrições combinadas corresponderam aos relatos das testemunhas oculares. Como os médiuns não tiveram acesso anterior a todas aquelas informações, a dra. Thelma achou essas correlações extremamente significativas. Os sensitivos descreveram o estranho como um cavalheiro de cinqüenta e poucos anos, que morrera de ataque cardíaco. De alguma forma, ele ficara ligado à casa, e não queria ir embora.

Enquanto as investigações ainda estavam em curso, Hyams fez algumas perguntas aos ex-proprietários. Chegou à conclusão de que eles, também, haviam sido permanentemente assombrados, porém o escritor californiano não se mostrou intimidado com a descoberta.

- Quem quer que seja o fantasma - declarou Hyams em matéria publicada no Saturday Evening Post -, não pretendemos sair assustados de nossa casa.

Mas, finalmente, eles acabaram abandonando a casa. Depois que a psicóloga completou sua investigação, Sommer e Hyams ainda convidaram mais uma médium para investigar a situação da casa. Jacqueline Eastlund visitou a residência em 1966, e então fez a seguinte advertência ao casal:

- Vejo a sala de jantar em chamas no ano que vem. Tenham cuidado.

Exausto, o casal afinal decidiu vender a casa em 1967, mas um misterioso incêndio irrompeu na sala de jantar, antes que eles tivessem mudado. A origem do fogo, assim como da própria assombração, jamais foi explicada.
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Fonte: O Livro Dos Fenômenos Estranhos - Charles Berlitz

O tesouro dos piratas

O fabuloso tesouro dos piratas: escavações na Ilha de Oak em 1897.

Ao largo da costa da Nova Escócia, localiza-se a diminuta e irregular ilha de Oak. No entanto, inversamente proporcional a seu tamanho é o estranho enigma do que existe escondido debaixo da superfície ilusoriamente normal. Dizem que ali há um fabuloso tesouro de piratas, de valor incalculável. As descobertas de exploradores falam de uma possível tragédia e de um trabalho de engenharia realizado por quem quer que tenha escondido o tesouro, sem igual em sua engenhosidade quase sobrenatural.

Qualquer que seja o resultado final, o fato é que por quase duzentos anos a ilha de Oak frustrou todas as tentativas de desvendar seu segredo. Os primeiros a tentar foram Daniel McGinnis e dois amigos, que remaram pela baía Mahone desde o Canadá, em 1795. Em uma clareira no lado oriental arborizado da ilha, eles descobriram o guincho de um velho navio, pendurado em uma árvore solitária, na depressão. Intrigados, cavaram e descobriram a abertura de um túnel de 4 metros de largura. A uma profundidade de 3 metros, os rapazes localizaram a primeira das grossas plataformas de carvalho. Seis metros mais abaixo, encontraram uma segunda plataforma, e a 9 metros, uma terceira.

O trabalho de escavação naquela argila pedregosa exauriu os jovens caçadores de tesouros, tanto física quanto espiritualmente. Outros viriam substituí-los. O trabalho de escavação foi reiniciado em 1804, financiado por Simeon Lynds, abastado morador da Nova Escócia. Os homens contratados por Lynds encontraram mais cinco plataformas de carvalho - a profundidades que iam aumentando em intervalos de 3 metros -, três das quais haviam sido protegidas com resina de navio e fibras de coqueiros. A 27 metros, eles defrontaram com o que ficou conhecido como "a pedra dos números", onde alguns símbolos obscuros foram interpretados por alguém como significando "3 metros abaixo, 10 milhões de dólares estão enterrados".

Dois metros e meio abaixo da pedra dos números, o pé-de-cabra de um dos mineiros bateu em algo sólido, que os homens pensaram ser a arca de tesouro. Após o achado, os homens de Lynds resolveram interromper os trabalhos do dia. Na manhã seguinte, o túnel estava cheio de água a uma profundidade de quase 20 metros.

O buraco do tesouro levou Lynds à falência, assim como causou a ruína de todas as outras expedições similares. Com o passar dos anos, uma quantidade suficiente de provas foi retirada do buraco, inclusive fragmentos de correntes de ouro e indícios de câmaras onde estariam colocadas arcas de madeira, mantendo vivas a curiosidade e a ganância de caçadores de tesouros.

O mistério do buraco do tesouro aumentou ainda mais quando foram descobertos dois canais ligados ao túnel, nas profundidades de 34 e 45 metros. Resguardados por fibras de coqueiros, os dois canais levavam às praias da ilha, onde pareciam servir como esponjas, transportando a água do mar para o túnel principal, inundando-o para sempre. As fibras de coqueiros indicavam que os piratas do tesouro seriam originários do Pacífico Sul.

Caçadores de tesouros continuam a enterrar dinheiro no buraco, correndo risco de vida. Daniel Blankenship, ex-empreiteiro de Miami, dirige as escavações na ilha de Oak como representante da Triton Alliance Ltd., consórcio de 48 membros de ricos financiadores canadenses e americanos. Certa vez ele estava dentro do túnel, quando as proteções metálicas, que sustentavam as laterais 15 metros acima de sua cabeça, começaram a desabar. Os operários conseguiram retirá-lo do buraco poucos segundos antes do desmoronamento total.

Depois de já haver enterrado 3 milhões de dólares no local, Blankenship e a Triton resolveram seguir em frente. David Tobias, presidente da Triton, chegou a declarar:

- O que está em jogo agora é, provavelmente, a escavação mais profunda e mais cara já feita na América do Norte.

O novo plano implica a escavação de imenso túnel de aço e concreto, com largura de 18 a 21 metros e 60 metros de profundidade, que revelará, de uma vez por todas, o que existe no fundo do buraco do tesouro. Custo estimado? Dez milhões de dólares.

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Fonte: O Livro Dos Fenômenos Estranhos - Charles Berlitz

O lobisomem de Botucatu


Mito corrente dos mais populares em todo o território nacional, apresenta curiosas variantes em cada região. De São Paulo, a chamada “zona velha” figura entre as mais ricas em valores folclóricos. Ali, mais precisamente em Botucatu, fizemos estes apontamentos.

É o mais corrente em todo o município e, sem muitas variantes, nos municípios vizinhos de Bofete, Piramboia, Itatinga e Avaré. É igualmente conhecido nas cidades. Um dos primeiros ferroviários a residir em Botucatu, mais tarde aposentado e transferido para Sorocaba, referiu ali a Aloísio de Almeida seu encontro com um lobisomem urbano, à noite, na então rua do Comércio, próximo ao Bosque.

A única característica própria, neste caso, era de que ia o lobisomem muito vagarosamente, como se cansado. Possuía longas orelhas tatalantes, produzindo ruído semelhante ao de matracas e trazia aberta a boca.

Por três maneiras se pode tornar lobisomem: por sina, gosto e mordida. O destino marca inexoravelmente para o lobisomem o sétimo filho homem de um casal qualquer que por incúria ou descrença, não receba como padrinho ao irmão mais velho. Será lobisomem por gosto, e se o desejar, quem depois de vinte anos sentir atração irresistível pelo sangue, excrementos de galinha ou pelas andanças noturnas.

 O processo de encantamentos é comum. Encruzilhada. Sexta-feira. Meia-noite. Espojamento na areia. Nó nas mangas do paletó. A terceira forma é consequência das duas primeiras. Se um lobisomem de qualquer destas espécies morde a canela de um homem, este poderá ou não tornar-se por sua vez um lobisomem segundo o estado de pureza de sua alma. Se a vítima foi um cão e no mês de agosto, estará “louco”. Ficará “arejando” para o resto da vida se o fato ocorrer em qualquer outro mês.

E varia a hora de saída do lobisomem. Aquele que cumpre condenação do destino, já estará a vaguear pelas estradas desde as 10 horas. O voluntário, porém, requer a meia-noite. Câmara Cascudo, em sua Geografia dos mitos brasileiros, refere que já às 23 horas, o lobisomem está transformado. Mas a hora de se recolher é invariavelmente a mesma: duas da madrugada, imediatamente após o cantar dos galos.

Às vezes, o desencantamento ocorre naturalmente: depois de sete anos de fadário, se o infeliz não tiver cometido sacrilégio algum contra igreja ou atacado viúvas. Pode também ser provocado graças a um ligeiro ferimento a faca, atingindo-se, de preferência, as patas dianteiras.

O desencantamento poderá apresentar duas reações: se cumpria disposição do destino, agradece e cumula de bens o autor da façanha; se porém, tratava-se de um lobisomem voluntário, passará a odiar o intrometido contra quem tentará todas as vezes que lhe for possível, pois desde o momento do desencantamento, sua alma estará condenada à perdição. (Note-se aqui, a perfeita driscriminação das reações entre as duas formas de lobisomem. Geralmente, este prisma do mito não se encontra bem elucidado, confundindo-se seriamente os porques do proceder posterior do ex-licantropo).

São bem distintos o lobisomem rural e aquele urbano. Este é, de certa forma, ordeiro. Vive arredio, fugitivo do olhar humano. Vasculha os galinheiros à cata de excrementos recentes de aves de uma cor determinada, teme os cães e rodeia as cozinha sprocurando pela água de barrela que aprecia como sua melhor bebida.

Não é grande corredor e fica largo tempo à espreita das casas e coisas que lhe aptecem. (Talvez se deva ligar os detalhes da paciente espera e das visitas aos galinheiros ao fato de que antigamente, assim procediam os não raros raposões que abundavam pela zona, que a simplicidade da gente impressionável, facilmente identificou com o mito comum).

O lobisomem do campo é que parece condenado a tacar gente. (Qual a razão? Seria simples fato de que o campo, a mata, a treva e as longas extensões desabitadas sempre se prestaram melhor aos encantamentos? Ou o resíduo daquelas práticas sanguinárias que Klabund assinalou muito bem como praticadas pelos camponeses de toda a Europa, na Idade Média?). Possivelmente, também, influência do lobisomem italiano, o lupo mannaro, através de uma contribuição ao nosso folclore graças à larga massa de imigrantes fixados em nosso meio rural.

Bebe até saciar-se, porém sempre agoniado pela necessidade de sustar sua corrida. Quem se vê perseguido por ele encontra abrigo nos cemitérios ou pátios de capelas. Não teme símbolos individuais de proteção, nem exorcismos, mas uma cruz preparada com barba de bode e em seguida benta pela Quaresma mantém-no afastado de casa.

Os padres e, especialmente, a mãe do infeliz podem reconhecer seu drama, mesmo quando não no couro da fera. Moço que toda manhã de sábado (notem o dia da semana) amanhece sofrendo náuseas denuncia-se. Pior ainda se for magro, pálido, fastidioso, com só os olhos estranhamente luminosos.

Não ataca gente de seu sangue, mas, se casado, a esposa corre de contínuo risco. Somente pode salvar-se na fuga e nada a livrará da morte se alcançada e dominada por ele. (Influência, talvez e longínqua, do lobisomem gaúcho — um despeitado que paga o castigo de haver sido infiel com uma comadre da esposa).

Tamanho e forma? Aproxima-se mais de um perdigueiro médio. Cabeça sempre baixa, de ordinário trote regular, boca desmesuradamente aberta. E o característico infalível: enormes orelhas balouçantes, provocando o ruído que gera pavor e ao mesmo tempo serve como aviso.

Existem na mesma região paulista variações interessantes do e sobre o mito tão popular. Voltaremos para tratar delas.
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Fonte: NEVES, Guilherme Santos. “Folclore”. A Gazeta. Vitória, 07 de julho de 1963

Lobisomem


O mestre Luís da Câmara Cascudo, em seu Dicionário do folclore brasileiro, ao focalizar o verbete Lobisomem, nos diz da longevidade do mito universal, registrado, desde a mais remota antiguidade, por Plínio, o antigo, Heródoto, Plauto, Varrão, Santo Agostinho, Ovídio etc. etc. — mito que, — por universal — também se localizou na Península Ibérica, espantando a espanhóis e portugueses. De lá é que, certamente, nos veio, dentro das primeiras caravelas lusitanas.

De Portugal, cita o mestre um verso no Cancioneiro geral, de Garcia de Resende (1516), verso do poeta Álvaro de Brito Pestana: “Sois danado lobisomem…” referente à crença lusa, segundo a qual o lobisomem é filho de comadre e compadre, ou de padrinho e afilhada. E pinta-lhe o retrato: “como homem: extremamente pálido, magro, macilento, de orelhas compridas e nariz levantado”; como animal, lobo, mas um lobo feio e mau, “um bicho grande, bezerro de alto porte, com imensas orelhas”.

O lobisomem continua a sua secular caminhada, o seu triste e sangrento fadário através do mundo. Está presente no folclore do Brasil e, da mesma forma, no folclore capixaba.

Por aqui, sabe e diz o povo que:

• o lobisome é bicho horrível, que carrega a gente;

• certas pessoas (homens, principalmente) viram lubisome às sextas-feiras de lua;

• quem entrar na igreja depois da meia-noite vira lubisome;

• o diabo, na noite de Sexta-feira Santa vira lubisome e vem para os quintais comer as galinhas, precisamente à meia-noite;

• nas sextas-feiras da Quaresma, não se deve deixar fora, expostas, as cascas de caranguejo (da torta); deve-se enterrá-las, para que não venha o lobisome lambê-las. Também corre, entre nós, esta crendice generalizada em todo o Brasil;

• Quem tem sete filhos seguidos (encarreirados), um deles ou o último será lubisome  (Crendice recolhida na Serra, em Santa Leopoldina e Vitória, mas, certo, corrente em quase todo o Espírito Santo).

Há, porém, um processo para evitar esse fado horrível: é o mais velho dos sete filhos ser o padrinho de batismo do último; com isso, desvia-se deste o destino terrível.

Já vi um lobisomem. Já o vi com estes olhos que a terra (breve) há de comer. Foi em Conceição da Barra. Guardei até o dia preciso: 1º de fevereiro de 1959. Feio, arrastando-se no chão, cabeça enorme e o corpo coberto de capim e estopa, o lobisomem que eu vi latia feito um cão danado, latidos surdos, ganidos como se ladrasse à lua. Na ocasião, alguns “marujos” assoviavam para ele, chamando-o ou atiçando-lhe a raiva, e também cantavam, ao som de pandeiros.

Evém, evém
Evém lubisome
Evém…


Aí o bicho beio mesmo, rastejando, “caçando” as pernas da gente, até que os mesmos “marujos” cantaram:

Evai, evai
Evai, lubisome
Evai…


E ele lá se foi, arrastando-se como viera, sob os risos, apupos e aplausos dos que presencíavamos a bela exibição do famoso Reis-de-boi de Santa (povoação pobrezinha, a quatro quilômetros de Conceição da Barra).
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Fonte: Jangada Brasil in: "Neves, Guilherme Santos. “Folclore”. A Gazeta. Vitória, 07 de julho de 1963".